TERAPIA DO TECER

(Ver também ARTE-TERAPIA, TERAPIA ARTÍSTICA)

Por Cristina Siopa

Importância da tecelagem

A tecelagem é uma das artes mais antigas da terra, e das mais executadas pelo feminino. É também uma forma de meditar, de permanecer e avançar.

Ao longo da evolução da humanidade, as mulheres asseguraram o ritmo da vida, repetindo e recriando tecidos nos quais tinham sido iniciadas pelas gerações anteriores, revelando e venerando a ligação do ser humano à terra e ao cosmos, através das cores, das formas e das texturas, de acordo com as tradições de cada povo. Elas tinham a seu cargo evidenciar a beleza, a harmonia, a paz, proporcionando aos mais jovens a aquisição de valores, sobretudo pela emanação de vitalidade e segurança que se desprendia deste repetir e desta aprendizagem viva e constante. E também porque esse “conhecimento” era utilizado nas vestes e roupas que cobriam e protegiam cada um.

É por essa razão que até há bem pouco tempo, podíamos encontrar teares em todas as instituições psiquiátricas. Pela calma que proporcionam e pela criação a que o domínio do tear e da prática do tecer dão espaço.

Dimensão terapêutica da tecelagem

Considerando que esta arte não está ultrapassada, e adaptando-a ao ritmo dos nossos dias, a autora desta proposta tem constatado que ela é eficaz num trabalho de grupo, proporcionando trocas de experiência e ensinando a relativizar as memórias, essenciais na construção do EU. O grupo torna a experiência mais calorosa, mais entusiasmante, e ajuda a perceber a importância dos factos que cada um viveu.

A cor e a escolha de materiais é também central neste processo, pois deixa transparecer a delicadeza ou a dureza de muitas experiências de vida, proporcionando a cada pessoa uma visão mais objectiva dessas situações.

Podemos correr o mundo sem sair do lugar porque, enquanto as mãos tecem, o coração guia-nos para fazer parte do Todo. Tecer é contar histórias que aconteceram, e criar as que queremos que aconteçam. É transformar. É caminhar. É meditar. É estar no presente a perceber o que foi e a decidir o que vai ser.

Os Workshops

Os workshops propostos por Cristina Siopa têm, normalmente, a duração de um fim-de-semana, durante o qual as pessoas podem experienciar momentos mais esquecidos e mais inconscientes das suas vidas, intervindo nesse passado a partir do presente, pela observação, pelo entendimento e pela escolha. A razão dos processos é elucidada pelo olhar actual de quem se implica neste exercício individual.

Um dos workshops é desenvolvido de forma a projectar o sujeito no tempo dos primeiros passos, das primeiras aprendizagens, dos primeiros encontros. Os seguintes são orientados para temas como as “Emoções” ou os “Contos de Fadas”.

Para cada workshop é pedido aos participantes que tragam tesoura, fios de lã, algodão, restos de novelos, fitas, trapinhos, palhinhas, pérolas, etc. Os teares são fornecidos para utilização durante o curso.

O primeiro dia é dedicado à montagem do tear e ao tecer, como requisito básico para o desenvolvimento das aprendizagens, recorrendo em paralelo (ou não) à memória dos primeiros passos de cada um na Terra, do contacto com os elementos, da relação com o outro. Privilegia-se a criatividade na escolha dos materiais e das cores.

O segundo dia é dedicado ao confronto com a liberdade de escolha para elaborar “A mais bela recordação” de cada um, e para partilhar histórias, sentimentos e percepções.

Finalmente há espaço para a escuta sobre o processo que cada um vivenciou.

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