RELAÇÃO DE AJUDA ANDC®

Em https://andc.eu/la-therapie-en-relation-daide/lapproche-directive-creatrice

Para a Associação Europeia de Terapeutas em Relação de Ajuda segundo a Abordagem Não Directiva Criativa®, no original, Association Européenne des Thérapeutes en Relation d’Aide selon l’Approche Non Directive Créatrice® (ANDC®), é uma psicoterapia relacional que favorece na pessoa a abertura do mundo emocional, e lhe permite agir em função das suas verdadeiras necessidades.

A ANDC® conduz ao auto-conhecimento, à aceitação e à mudança, respeitando o ritmo e actividade de cada um. É um caminho direccionado para uma maior liberdade, autonomia e criatividade.

Inspirando-se no conceito da não-directividade desenvolvida por Carl Rogers (1902-1987), Colette Portelance criou a ANDC® em 1989.

Esta perspectiva encara a pessoa na sua globalidade, e situa-se na esteira da psicologia humanista. É um processo de harmonização da mente, do corpo e do coração. Trata-se de uma abordagem terapêutica relacional de natureza afectiva, onde o terreno de intercâmbio entre terapeuta e paciente fornece a este último a possibilidade de fazer uma experiência relacional positiva e transformadora, que o ajudará a desenvolver mais maturidade emocional e autonomia.

A terapia, nalgumas palavras

Tem por objectivo tratar o mal-estar que qualquer pessoa pode encontrar na sua vida.

Conforme as pessoas e as circunstâncias, este mal-estar manifesta-se no domínio psicológico, existencial, afectivo, sexual, relacional ou social. O trabalho do terapeuta em relação de ajuda consiste em propor à pessoa, em função da sua situação específica e do seu desejo de mudança, os meios que lhe vão permitir evoluir para um estado de desejado bem-estar. Assim, a duração de uma terapia pode variar de algumas semanas a vários anos. O bom decorrer da terapia depende igualmente da dinâmica relacional que se cria entre a pessoa que é consultada e o terapeuta em relação de ajuda.

É, pois, importante, antes de começar uma terapia, escolher bem o seu terapeuta, de modo a se sentir confiante com ele.

Apenas os terapeutas em relação de ajuda, que tenham recebido a formação completa necessária, e se tenham comprometido a respeitar o Código Deontológico, são qualificados para acompanhar processo em relação de ajuda.

O decorrer de uma terapia

O terapeuta em relação de ajuda, ao longo das conversas, que terão lugar a intervalos regulares, convida o seu paciente/cliente:

  • a falar de si mesmo, do que ele vive, e do modo como ele vive os acontecimentos da sua vida, a partilhar a sua história e as suas experiências de vida;
  • a permitir-se liberdade ao nomear suas vivências (suas emoções, seus sentimentos, suas resistências) ligadas aos acontecimentos quotidianos como aqueles que surgem durante as conversas com o terapeuta.

O terapeuta em relação de ajuda reformula ao seu paciente/cliente as suas emoções, os seus sentimentos, os seus sofrimentos psíquicos, as suas resistências, de modo a que ele tome plena consciência dos mesmos.

Faculta ao paciente um reflexo do seu funcionamento psíquico, assim como as consequências dele nas suas relações consigo próprio e com os demais.

O terapeuta em relação de ajuda participa plenamente na relação e partilha com o seu paciente/cliente o que ele mesmo vive com respeito ao que lhe relata o seu paciente/cliente.

Através deste envolvimento afectivo, o terapeuta visa proporcionar ao seu consulente a ocasião de experiências relacionais sãs que transformarão os afectos negativos que estão na origem dos seus funcionamentos relacionais mal adaptados e sofredores, em afectos positivos.

O terapeuta em relação de ajuda, por estas acções, acompanha o seu paciente/cliente nas diferentes etapas do processo de mudança criadora que são:

  • a tomada de consciência de si-próprio;
  • a aceitação do que ele é;
  • a responsabilidade (do que ele vive, das suas necessidades, etc.);
  • a expressão do seu mundo interior, das suas emoções;
  • a observação de si no processo de mudança;
  • a escolha de mecanismos de protecção;
  • a passagem à acção criadora.

 Os objectivos de uma terapia

  •  um melhor conhecimento de si;
  • a tomada de consciência e a aceitação dos seus sofrimentos, dos seus mecanismos de defesa, dos seus limites;
  • a cura progressiva de feridas relacionais antigas;
  • um apaziguamento do mal-estar psíquico, da angústia, da ansiedade;
  • uma maior responsabilização face às suas aflições, seus sofrimentos e às suas necessidades fundamentais e, assim, maior poder sobre a sua vida;
  • uma ajuda para descobrir os seus recursos, suas necessidades fundamentais, e os meios de as satisfazer;
  • uma relação consigo próprio, e com os demais, mais profunda e mais autêntica;
  • uma maior liberdade de ser ele próprio;
  • uma melhor aptidão para comunicar e amar.

O acompanhamento terapêutico

No seu acompanhamento, o terapeuta em relação de ajuda formado em ANDC® deve fazer prova:

  • de uma atitude aberta, sem preconceito, e apresentando uma forma de estar e de ser que seja um encorajamento contínuo à expressão espontânea do cliente/paciente;
  • de uma atitude de não julgamento que lhe permita acolher sem críticas, sem culpabilização, nem conselhos;
  • de uma atitude de não direccionamento que permita ao cliente/paciente a iniciativa completa na sua apresentação do problema, no seu próprio itinerário e no seu ritmo de progressão;
  • de uma intenção autêntica de compreender o seu cliente/paciente, de descobrir o seu universo subjectivo, ou seja, de entender as significações que a situação apresenta para o paciente;
  • de um compromisso de estabelecer, com o seu cliente, uma relação afectivamente investida, ou seja, na qual o terapeuta se permite a liberdade de vivenciar e exprimir as suas próprias emoções em conjunto com o seu paciente, e onde se possa experienciar uma relação autêntica, sã e transformadora;
  • da capacidade de assumir autoridade necessária à condução da terapia ao nível do «recipiente», ou seja, das regras que estruturam e enquadram o processo terapêutico.

Pela sua atitude, sua escuta e suas intervenções, o terapeuta em relação de ajuda acompanha o seu cliente na reconquista do poder sobre a vida.

Eles poderão progressivamente aceitar-se e assumir a responsabilidade do que vivem e das suas necessidades.

Esta responsabilidade psicológica (que não se deve confundir com a noção de responsabilidade moral nem de culpabilidade), conduz em direcção a uma liberdade interior cada vez maior e à sua realização e desenvolvimento.

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