PSICANÁLISE

Por Lucile de La Reberdière

Em https://www.annuaire-therapeutes.com/index-des-disciplines

Fazer análise para ir ao encontro dos conflitos inconscientes

A psicanálise é um método de investigação dos processos psíquicos fundado na Áustria por Sigmund Freud no final do século XIX. Está na origem da descoberta do inconsciente e procura decifrar os conflitos interiores do paciente graças à verbalização e à análise dos recalcamentos.

A psicanálise considera, de facto, que, quando falamos, dizemos sempre mais do que pensamos dizer. A palavra do sujeito constitui então o principal material terapêutico para compreender um sintoma.

Uma sessão: para quem e para quê?

A psicanálise procura localizar os pontos em que o inconsciente se exprime. A verbalização durante as associações de ideias, os lapsos ou a narrativa dos sonhos vão permitir assinalar as lógicas psíquicas inconscientes do paciente, com o objectivo de o ajudar a tomar consciência e de resolver os seus problemas.

A psicanálise interessa-se também muito pelos actos falhados, tomando-os por prova da existência de desejos inconscientes recalcados. Por exemplo: perder um comboio no dia em que se tinha um encontro importante ou enviar um SMS ao destinatário errado.

Considera-se que não é possível a ninguém decifrar sozinho o seu próprio inconsciente, por definição inacessível à consciência. O papel do terceiro elemento, o psicanalista é, por isso indispensável. Iniciar um processo de análise tem que ter por ponto de partida um sofrimento psíquico reconhecido pelo paciente, ou um desejo seu de se compreender melhor. Tal como Freud o estipulou há mais de um século, o objectivo da psicanálise não é "curar", mas sim permitir ao paciente recuperar a energia necessária "à acção, ao pensamento e ao usufruto da existência". Uma energia vital que os conflitos inconscientes mantinham em cativeiro.

Se a maior parte dos psicanalistas se reclamam freudianos, a sua prática pode também ser enriquecida pelos contributos de outros teóricos como Jung, Adler ou Lacan. Desde a sua criação que esta terapia é criticada pela sua duração e custo elevados.

Contrariamente a terapias mais breves, a psicanálise não fixa, no início, um programa de progressão. Permite, no entanto, tratar angústias, inibições, tendências depressivas ou perturbações sexuais. Está mais vocacionada para o tratamento das neuroses do que das psicoses.

Algumas informações úteis sobre uma sessão:

A análise, em si mesma, é designada por "tratamento" e obedece a um protocolo preciso. Numa sessão, a pessoa está deitada sobre um divã. Não vê o analista, que fica sentado atrás dela e que fala o menos possível, para não interferir na expressão do inconsciente do paciente.

Este é convidado a dizer tudo o que lhe passa pela cabeça. É o princípio da associação livre. A neutralidade compreensiva do terapeuta e a regularidade das sessões permite estabelecer o quadro necessário ao processo de transfert: o paciente projecta emoções e sentimentos na figura do terapeuta, o que é indispensável para que liberte os mecanismos psíquicos infantis. O papel do psicanalista é escutar, interpretar o conteúdo inconsciente a partir daquilo que o paciente conta e conduzir uma releitura da sua história.

Por isso, a psicanálise assenta na colaboração de um terapeuta e de um paciente. A maior parte dos terapeutas fizeram, quase sempre, estudos de psicologia ou medicina, uma vez que não existe um diploma de psicanalista. No entanto, a deontologia da profissão obriga a que o analista tenha, ele próprio, feito a sua análise e a que seja regularmente supervisionado.

A psicanálise é um longo caminho em direcção a si mesmo. Um tratamento psicanalítico dura, em geral, vários anos mas deve poder parar se o paciente o pedir.

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