MEDICINA ANTROPOSÓFICA

Fonte: http://www.sab.org.br/portal/medicinaeterapias/213-oqueeamedicinaantroposofica

Dr. Bernardo Kaliks *

(Artigo publicado na Revista ARS CVRANDI - Outubro/90)

A Medicina Antroposófica é uma ampliação da Medicina Académica. Baseia-se nos métodos das ciências naturais, que nos permitem penetrar em todos os detalhes da natureza física ou corporal do organismo humano. A Medicina Antroposófica distingue, além da organização puramente física do homem, outras três organizações:

  • organização vital, que ordena os fenómenos físicos como fenómenos viventes;
  • organização anímica, que reordena, por sua vez, os fenómenos físicos e vitais de forma a possibilitar a aparição da consciência;
  • organização espiritual, absolutamente individual de pessoa para pessoa, e que organiza as outras três instâncias como uma organização biológica individual.

Tal como a Medicina Académica, que se baseia no método das ciências naturais, a Medicina Antroposófica baseia-se no mesmo método para o conhecimento do homem físico; mas para o conhecimento das organizações vital, anímica e espiritual, baseia-se no método da Ciência Espiritual ou Antroposofia, fundada na Europa por Rudolf Steiner, no começo do século XX.

De acordo com esse método de pesquisa ampliada, temos quatro estruturas essenciais que constituem a entidade humana:

  1. O Corpo Físico: mineral, substancial, existente em diversas formas, em todos os reinos da natureza.
  2. O Corpo Vital ou Etérico: fundamento da vida, das características puramente vegetativas, crescimento, regeneração e reprodução. Existe em todos os organismos vivos.
  3.  O Corpo Anímico ou Astral: é o fundamento da organização sensitiva do homem; ele reordena os processos biológicos, permitindo a aparição do sistema nervoso no mundo animal e no homem.
  4. A Organização para o Eu: é a organização própria do homem, dá a auto-consciência e reagrupa as actuações dos outros três corpos, surgindo assim o andar erecto e as capacidades de falar e pensar.

Essas quatro organizações agrupam-se reciprocamente em três formas diferentes no organismo humano, surgindo assim uma estrutura funcional e anatómica de constituição tríplice:

  1. Sistema Neuro-sensorial: concentrado principalmente na região da cabeça, mas também distribuído por todo o corpo. Está a serviço da consciência.
  2. Sistema Rítmico: cujo centro funcional se encontra na região torácica, onde a característica das funções pulmonar e do coração é o ritmo. Também presente nos ritmos de outras funções biológicas, fora da cavidade torácica.
  3. Sistema Metabólico e das Extremidades: agrupa todos os processos metabólicos, base para o sustento, regeneração e movimento do organismo, cujos órgãos principais se concentram na cavidade abdominal e extremidades; mas funcionalmente presente, tal como os outros dois sistemas, em todo o organismo e em cada uma de suas células e tecidos.

A relação recíproca desses três sistemas muda durante a vida do ser humano, de idade para idade, vinculando-se com essa mudança biológica às mudanças que acontecem psicológica e espiritualmente no desenvolvimento normal das pessoas.

Um transtorno nesta transformação através do tempo leva a um desequilíbrio na relação recíproca desses três sistemas e esta é a causa primária das doenças. O Sistema Neuro-sensorial é, em termos de multiplicação celular e regeneração de tecidos, biologicamente muito pobre quando comparado com os órgãos do Sistema Metabólico: e esta é a situação normal dele. Quando no Sistema Metabólico se repete a situação normal para o Sistema Neuro-sensorial, surgem as doenças degenerativas e, em geral, as doenças de evolução crónica; quando ocorre o contrário, quer dizer, o normal para o Sistema Metabólico aparece no Sistema Neuro-sensorial ou órgãos vizinhos, temos aí o fundamento das doenças inflamatórias, agudas.

Vamos dar alguns exemplos para ilustrar melhor.

Nas doenças esclerosantes, doenças degenerativas, crónicas, os tecidos perdem a sua elasticidade, desidratam-se, a respiração celular diminui, o tecido normal para o órgão afectado desaparece lentamente sendo substituído por tecido desvitalizado, fibroso. Isto acontece nas nossas artérias, na arteriosclerose; no fígado, na hepatite crónica ou na cirrose hepática; nas nossas articulações, na artrose ou na artrite reumatóide. Em todas estas doenças encontramos em actividade o princípio biológico próprio do Sistema Neuro-sensorial, mas em forma exagerada e em regiões onde normalmente esse princípio actua com pouca intensidade.

Nas doenças inflamatórias, encontramos o contrário: podemos considerar como fisiologicamente inflamados, com intensos processos de regeneração e multiplicação celular, tecidos como o sangue, o intestino (vilosidades intestinais), o fígado. Quando esses processos normais acontecem em regiões onde existe maior repouso biológico, surgem as doenças a que chamamos inflamações, como piodermite, pneumonia, meningite, pielonefrite, etc.

A metodologia própria da Medicina Antroposófica permite pesquisar os reinos da natureza à procura de medicamentos para as doenças, e a mesma metodologia tem levado ao desenvolvimento de procedimento farmacêutico próprio para a fabricação desses medicamentos.

Os medicamentos próprios desta forma de Medicina são tomados dos três reinos da natureza: mineral, vegetal e animal, e as suas indicações e mecanismos de actuação são conhecidos através do método de pesquisa da Antroposofia.

A terapêutica da Medicina Antroposófica vai bem além do uso de medicamentos. A partir dela, têm-se desenvolvido outros recursos com indicações específicas e diferenciadas, como:

  1. Euritmia Curativa: terapia baseada em determinados movimentos corporais;
  2. Terapia Artística: utiliza de forma terapêutica as diferentes artes: modelagem, música, desenho, pintura;
  3. Massagem Rítmica; (ver MASSAGEM RÍTMICA)
  4. Quirofonética: terapia baseada na fala.

Esta Medicina surgiu na Europa, onde se encontra muito difundida nos seguintes países: Alemanha, Suíça, Holanda, Itália, Suécia, França, como também em outros países da Europa e em outros continentes.

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